Hoje e depois
Martha Medeiros
Não que dia de eleição não seja importante, mas vamos lembrar que, seja quem for que vá tomar decisões políticas daqui por diante, você continuará sendo dono e senhor da sua vida, é de você próprio que depende o futuro: das coisas que você elegeu sozinho.
Nenhum candidato impedirá você de ler o que quiser e de dormir na hora que bem entender. Da sua liberdade, cuida você. Então, cuide mesmo.
Amanhã os jornais estamparão os nomes dos vitoriosos, e os articulistas irão especular sobre a formação de ministérios e sobe as medidas que virão, e você estará satisfeito por ter votado no homem certo ou insatisfeito por terem eleito aquele que você não queria, e as coisas vão mudar, mesmo, é muito pouco. As escolhas decisivas de sua vida seguirão sendo suas, apenas.
Então deixe a vida continuar acontecendo no território que você domina, vá fazer sua caminhada como faz todos os dias, que isso nunca será impedido por decreto, e aproveite que está apaixonado para se declarar tão insistentemente que chegue ao ponto de duvidar que possa amar tanto, e se não estiver amando, trate de se abrir com urgência para esse sentimento que, entra governo e sai governo, não muda e não perde a importância.
A vida segue acontecendo nos detalhes, nos desvios, nas surpresas, nas alterações de rota que não são determinadas pelas urnas, mas por um olhar que você ainda não havia percebido, por uma palavra que você não esperava escutar e por fim escutou.
Poderíamos estar aqui conversando – eu daqui, você daí – sobre a calamidade social que o País não consegue conter, como está difícil ter esperança, e quantas decepções já engolimos, mas hoje não, justamente hoje que seria o dia, vamos evitar esta discussão aborrecida e pegar um atalho, outro caminho, lembrar de quanta coisa já escolhemos e que deu certo, em quanta gente depositamos nossa confiança e que não nos faltou, em como já sofremos por pouca coisa e por muita coisa, e por todas elas nos tornamos mais fortes e preparados, então que venha o que vier, nada há de nos pegar desprevenidos, política nunca é mesmo algo muito original: mesmo sem bola de cristal podemos visualizar no horizonte o que irá repetir-se.
No entanto, o dia de amanhã poderá ser absolutamente inusual, e a política não terá nada a ver com isso. Prepare-se para fazer alguma escolha: entrar ou não num negócio, gastar ou não um dinheiro, aceitar ou não um convite, sorrir ou não para alguém. Sabe-se lá o que essa decisão trivial poderá fazer pela sua vida que o próximo governo não poderá.
Você já passou por tantas eleições pessoais: escolheu sua profissão, a cor do seu cabelo, o nome que seus filhos têm, o time para o qual torce, a roupa que está usando bem agora. Quem é que está no comando? Ora. Faça o que bem quiser deste seu dia e dos dias que virão. Votar é obrigatório, mas viver é muito mais.
Domingo, 1º de outubro de 2006.
Desenvolvido por Carlos Daniel de Lima Soares.